Exposições

2007 | José Patrício

O movimento sempre foi o motor da obra de José Patrício. Trata-se, no entanto, de uma engrenagem subterrânea, não muito acintosa. A vontade construtiva é um dado relevante em seu trabalho e é o que mais se pronuncia. Sempre regrado por seqüências numéricas ou mesmo guiado pelas conjunções de cores e símbolos, o trabalho chama atenção pelo pictorialismo e pela engenhosidade da ocupação do espaço em suas instalações.

Talvez Jogo Cor tenha causado espanto àqueles que acompanham o trabalho de Patrício. Ao invés de painéis e instalações que se projetam pelo chão para contemplação, uma sala de jogos, penumbra, meia parede na cor verde bandeira, mesas com cores primárias e dominós sendo jogados pelos visitantes. Esta foi a primeira oportunidade de José Patrício apresentar um projeto participativo que destoasse do padrão de fruição e de operacionalização de seus trabalhos anteriores, mas que significasse um claro desdobramento de todo o manancial poético e lúdico construído por ele.

Jogo Cor exacerba aspectos da investigação criativa de José Patrício: o movimento, o cromatismo e a utilização de um jogo popular como princípio fundamental. Apesar de não ter sido inspirada diretamente na obra de Hélio Oiticica Sala de Sinuca (1966), esta é apontada pelo artista como uma referência possível, afinal as cores tomam o espaço e o trabalho acontece pela ação do público, em que o espectador vira participante, jogador, como na instalação do artista carioca. José Patrício abre mão de suas combinações e de suas regras rigidamente seguidas para abarcar o acaso e a espontaneidade do público, possibilitando novas potencialidades para seu percurso artístico.

Cristiana Tejo
Curadora
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